Se acaso quiseres, ela é dessas mulheres.

Ela é dessas que não gosta de flores nem de muito sentimentalismo. Ela é do tipo que valoriza mais o beijo na testa que o buquê de rosas, mais a parceria que o "eu te amo" vazio. Paranoica e desconfiada, costuma desconfiar das coisas boas e, talvez por isso, ainda não aprendeu a fazer um carinho sem antes receber. Já percorreu caminhos dolorosos, mas sempre levou tudo com otimismo e força de vontade, e por isso não se contenta com pouco. Ela faz o que dá na telha, bebe e fala alto no boteco, mas também adora curtir a fineza de apreciar um bom vinho com ela mesma. Flexível, calma e paciente, ela também perde os sentidos quando fica nervosa - talvez porque suporta as coisas por tempo demais. As pessoas costumam achar que ela é meio estranha e louca, porque não gosta de flores, não tem um cachorro e não gosta do frio. Mas ela sabe que julgamentos não a definem.
Se acaso quiseres, ela é dessas mulheres. ~



Por mais Ivo, por mais arte na música.





Sempre gostei de conhecer a origem e o significado das músicas que ouço. Hoje, ouvindo pela milésima vez o novo CD do Ivo Mozart, presto um pouco mais de atenção na música "Se Eu" e fiquei simplesmente encantada com cada verso. Confesso que estuprei o repeat. Mas, até então, achava que fosse apenas mais uma música romântica. Engano meu, a música foi uma homenagem para o pai dele (que já faleceu, seu anjo, como ele mesmo diz). O resultado? Me apaixonei ainda mais pela música e pelo Ivo. Sabendo disso, impossível não aflorar aquele meu ladinho sentimental pouco apresentado. Me lembrei de dois caras sensacionais que tive o prazer de ser neta (uma puta saudade!) e a música fez mais sentido.

Por fim, o recado que deixo é: já pararam pra pensar no quanto vocês valorizam artistas que criam com o único e exclusivo objetivo de ganhar dinheiro? Não que seja errado vender (isso também é super necessário), mas fica a reflexão. ~



"Ainda me lembro da temperatura
Da tua mão fria quando me abraçava
Quando o inverno chegava
E eu me aconchegava no calor do teu peito,
Ainda me lembro, ainda choro,
Quando penso em você

Ainda me lembro do timbre da voz
E do jeito que você penteava o cabelo
Da altura do som da risada
Que sempre quebrava o silêncio na sala
Como é que eu posso me esquecer?
Como é que eu posso me esquecer?

Se eu pudesse te abraçava agora
Se eu pudesse voltava no tempo
Se eu me teletransportasse,
Seria pra perto de você!

Ainda me lembro que você acordava
Mais cedo pra eu não me atrasar
Me ligava dizendo alô alô como é que você tá
Que saudade do tempo que eu tenho de quando o amor era como
Joia rara

Ainda me lembro da tua torcida
No campeonato lá da minha escola
E me lembro de todos os detalhes
Que você contava na tuas histórias
Como é que eu posso me esquecer?
Como é que eu posso me esquecer?

Se eu pudesse te abraçava agora
Se eu pudesse voltava no tempo
Se eu me teletransportasse,
Seria pra perto de você!

Se eu pudesse, eu juro que eu inventava,
Uma máquina do tempo pra te levar pra casa
Mas não é tão fácil assim

Se eu pudesse te abraçava agora
Se eu pudesse voltava no tempo
Se eu me teletransportasse,
Seria pra perto de você!"

Sobre tipos de amizades.


Aquelas que parecem, mas não são.
Aquelas que nunca foram próximas, mas consideramos e sempre lembramos.
Aquelas que não passam de boas risadas no bar, mas não deixam de ser ótimas.
Aquelas que nunca deveriam ter sido, mas nos trouxeram grandes lições.
Aquelas que te dão tapas bem merecidos na cara.
Aquelas que te tiram da merda.
Aquelas que fazem merda com você.
Aquelas que ninguém acredita que é só amizade.
Aquelas que só estão presentes nos grandes momentos.
Aquelas que, por fim, são do caralho. São de verdade, são pau pra toda obra, nos entendem até no silêncio e mesmo longe, estão perto. Para todos esses: obrigada. Por tudo.







O mundo está ao contrário e ninguém reparou.

Não está certo uma mulher trair o marido, mas está certo o contrário. Não está certo que novelas abordem o amor de pessoas do mesmo sexo, mas está certo tornar a traição de uma mulher o assunto mais divertido da semana. Não está certo uma mulher ir pra balada, mas está certo que ela seja estuprada porque usou um short curto. Não é certo ser ateu, mas é certo que religiões se aproveitem da ingenuidade dos seus fiéis e ainda impeçam diversos avanços na sociedade. Não está certo um jornalista fazer o seu papel social e propor uma reflexão profunda sobre a comoção com a morte de um cantor, mas está certo compartilhar as fotos do corpo dele nas redes sociais. Não está certo "dar o peixe" para os mais necessitados, mas está certo criar um filho que ganha tudo na mão e depois não sabe o que fazer da vida. Não está certa a atual situação do país, mas está certo tirar uma presidente do poder por qualquer meio (seja ele legal ou não). Não está certo ficar 48 horas sem um aplicativo, mas está certo ignorar as pessoas ao seu redor porque o celular é mais legal. Não está certo que ofendam o seu deus, mas está certo desde que ele não seja o seu. Não está certo ficar calado diante de tantas barbaridades políticas, sociais e morais, mas está certo quando alguém a expressa e o mundo condena. Seus hipócritas, daqui a pouco vão me dizer que não é certo respirar. Para de reclamar e vai fazer algo de útil em algum lugar - lavar a louça pra sua mãe já é um começo.


Ela, madura.

Os anos passam e levam embora a paciência dela. Malditos anos, ela diz. Afinal de contas, paciência fazia tão bem para ela. É uma pena que ela não enxerga o quanto os anos estão a deixando mais leve, mais madura, mais ela mesma. Ela encontra um pouco mais de si mesma a cada dia e se assusta, se acha chata. Poxa, alguém mostra pra ela que mais vale um surto de raiva sincero que um sorriso de canto de boca se segurando pra não dizer besteira? Ela sempre pediu mais e ganha um pouco mais dela mesma a cada dia. Ela só precisa entender que amadurecer não é errado, nem chato.



Um pouco de paz

Por que eu arrepiei em todas as vezes (não foram poucas) que ouvi Alexandria? Simples. É muita revolta pra pouco assunto, muita rebelião pra pouca atitude, muito choro pra pouca preocupação e muito discurso pra pouco conhecimento.



"Não tiro a razão de quem não tem razão, não ponho a mão no fogo pois é verão. Não dou razão pra quem perde a razão. Preste atenção então. Vá procurar o que caiu da mão. Refazer sozinho o caminho olhando pro chão. Gente demais. Com tempo demais. Falando demais. Alto demais. Vamos lá atrás. De um pouco de paz. Aqui tem gente... Não vi solução na mão da contramão. Brincando com o fogo pela atenção. Perdi a razão com quem me deu razão. Presta atenção, então. Vá procurar o que caiu da mão. Refazer sozinho o caminho olhando pro chão. A gente queima todo dia mil bibliotecas de Alexandria. A gente teima, antes temia. Já não sabe o que sabia."



Afinal, qual o valor da liberdade?


Na tarde de ontem, a Coroa Portuguesa publicou um decreto condenando 11 dos envolvidos nos protestos da Inconfidência Mineira. Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga foram alguns dos condenados. Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, foi o único que recebeu pena de morte e será executado no próximo dia 21, no Rio de Janeiro.

O acontecimento é bastante antigo, mas teve gente que se esqueceu de ir às aulas de história. Fico assustada quando assisto ao jornal e vejo pessoas gritando por uma intervenção militar no Brasil. Muitos podem justificar a atitude pelos escândalos recentes e a crise dos últimos meses. Eu entendo e compartilho do sentimento de revolta, mas querer algo parecido com a ditadura é ir longe demais. Parece que não entendem que a imprensa só publica as falhas do governo e só podemos protestar porque vivemos sob um regime democrático, obtido graças à luta de milhares de brasileiros. 

Brigar por um país melhor e mais justo é quase uma obrigação de qualquer cidadão. Por outro lado, pedir por intervenção militar não é apenas insensato como também é desrespeitoso com as famílias daqueles que lutaram por um país livre, seja de Portugal ou dos militares. Eu dou valor à minha liberdade e admiro Tiradentes, executado como criminoso e eternizado como herói.



Artigo produzido para a disciplina de Técnicas de Redação em RP, cujo tema era o Enforcamento de Tiradentes.